quarta-feira, 9 de julho de 2008

silêncio

quero vida nada,
tenho tu a ser mim tava,
fera lingua fere,
só aqui que espera cala,
tempo mudo tempo
até saber que tudo
não é nada
Fonte da imagem: Pintura de Joan Michell, disponível em http://www.kemperart.org

entre

Sinto-me por vezes afoito em revelar este universo em mim. Permaneço imóvel. As idéias rondando-me a mente como mariposas cegas ao redor da lâmpada acesa em meio a madrugada. Não sei. Simplesmente não sei o que escrevo, quando a vontade é de gritar... De fazer, orgulhosamente e egocentricamente que o mundo perceba o que sinto. Quase sempre é tão fácil irromper o campo vazio com pequenas significações. Porém há momentos em que as palavras nos traem e tudo o que sentimos se transforma em um gás denso e etéreo. Uma suspensão de idéias que paira o entre de nossa materialidade e reflete em uma não-consciência de nós mesmos. Um estado de ilusão.

Imagem: Cristian Mossi

terça-feira, 8 de julho de 2008

Sempre precisei
De um pouco de atenção
Acho que não sei quem sou
Só sei do que não gosto...
E nesses dias tão estranhos
Fica a poeira
Se escondendo pelos cantos...
(Teatro dos Vampiros, Legião Urbana)

global

Prefiro café a chá.
Mas sou muito mais dos orientais que dos norte-americanos!

Fonte da imagem: http://www.dominiosfantasticos.xpg.com.br

segunda-feira, 7 de julho de 2008

...invade e fim*


A vida me entra pelos poros,
pelos olhos,
faz arder meu nariz,
enrijesse minha saliva,
acelera meu coração...

Passa.

*título retirado da música Pétala de Djavan

Imagem: Cristian Mossi

tramas do outro

Mais que sempre tenho prestado atenção nas pessoas.
Descubro tantas coisas com elas, cada uma a seu jeito.
Encontro sim uma dificuldade em adentrar o profundo de seus olhos...
Mas não desisto!
Percebo que já não espero de todos ‘tudo’ que quero, mas o que podem me dar.
Talvez esteja amadurecendo e nesse processo aprendo que também não sou ‘tudo’ para o outro.
E erro.
E acerto.
E machuco e me machuco.


E me encontro para depois me perder.


Imagem: Cristian Mossi

sexta-feira, 4 de julho de 2008

delicadeza cruel

A sutileza presente na carcaça fria das palavras, às vezes dói. Não porque a palavra, própria, ela assim em sua aparência revestida de corpo-signo se faça machucar gratuitamente, mas porque de fato ela dói uma dor que não se entende. Dor de quem a espreita ingenuamente. Penetra seus retornos. Infere seus tracejados, seus acentos, seus pontos e remeche a ferida aberta. Às vezes abre feridas que nem existiam , mas que a palavra, essa delicadeza cruel, consegue impor. Ninguém sabe o que esconde o véu sórdido das palavras, nem sabe por que ela tanto dói. Só se sabe que ela se faz doer nos momentos mais impróprios e que pode se apagar em matéria, mas sua marca se reveste de uma dor mais doída e mais imprópria, que só aumenta com o passar do tempo. Espécie de rancor. A palavra: melhor imagem do diabólico. Tão atraente e tão traiçoeira quanto se pode imaginar.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Chove Chuva

Dois dias fora de Santa Maria e quando chego,
aqui está ela a me recepcionar...
A chuva!
Me faz lembrar daquela música especial cantada lindamente pela Zizi Possi...
"Você sabe o que é a chuva meu bem
é uma princesa que cai do céu
é a tristeza em forma de véu
Quando os teus cabelos
forem iguais aos cabelos da chuva meu amor
então vou gritar de felicidade
porque gosto muito da chuva e de você."
(Chuva Princesa, Jorge Mautner)

Entardecer no Guaíba

Os demais extremo-oestes dos olhares despercebidos do mundo que me perdoem, mas em Porto Alegre, de fato, temos o mais belo pôr-do-sol que já se ouviu falar... Parece clichê repetir isso, mas só quem pôde alguma vez presenciar o momento em que a 'brasa escaldante' encontra o Guaíba a tardinha, é que entende a frase de Kleiton e Kledir em Horizones: "E um pôr-de-sol me traduz em versos...."

Fonte da imagem: http://nadademuitointeressante.blogger.com.br

Iberê Camargo



O que são nossas carnes dispostas ao tempo?
E o que nos dizem os objetos fora de nós?
O que realmente está fora de nós?
Questões que me fiz ontem, quando tive a oportunidade de conhecer a Fundação Iberê Camargo em Porto Alegre/RS que traz em sua primeira exposição uma retrospectiva fantástica desse artista, com curadoria de Mônica Zielinsky, Paulo Sérgio Duarte e Sônia Salzstein.
Além da construção magnífica e imponente a beira do Guaíba, assinada por Álvaro Siza e premiada na bienal de Arquitetura de Veneza (2002), a fundação/museu recebe na mostra inédita pinturas, gravuras e desenhos de Iberê, os quais mostram em seu conjunto a violência sutil com que o artista tratava suas temáticas que vão da paisagem, perpassando os carretéis e a figura humana, tudo combinado a uma carga existencialista que beira a morbidez e a ironia presente nas coisas do mundo as quais não escapam à passagem do tempo e do olhar.
Fonte das imagens: