sábado, 25 de outubro de 2008

pé de jabuticaba

Num domingo desses, depois de um delicioso almoço na casa da vó, parei por um instante de baixo do pé de jabuticaba que tanto assistio minhas brincadeiras na infância e fiquei por alguns minutos pensando:
"- O pé de jabuticaba é que está caindo, ou foi o mundo que se inclinou?"

Aí percebi... o tempo passa...

Imagem: Cristian Mossi

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

se um dia você quiser...

Se um dia você quiser eu fujo... Só com você. Levo-te para um lugar bem longe, onde só se possa ver o céu e a linha do horizonte sem fim. Onde só exista o som de nossos corações afoitos e a luz de nossas intrépidas almas a procura de se amar, cada vez mais.
Se um dia você quiser eu aprendo a voar, e te levo até as estrelas fazendo piruetas perto do sol, agarro um planeta e decoro ele só pra você. Se um dia você quiser eu roubo a lua, guardo-a numa caixinha e deixo-a iluminando somente o fundo dos teus olhos, até você dormir, lentamente, com aquele semblante que eu adoro, feito criança que esqueceu de crescer.
Se um dia você quiser eu velo seu entardecer, e pinto o céu todo em tons de lilás, pra alegrar a noite que se segue e traz com ela um instante de ilusão que, feito menino levado, esquece de durar pra sempre.
Se um dia você quiser eu finjo que esqueço de te amar por algum tempo, só pra depois poder voltar e te conquistar outra vez, recontornar a geografia do teu corpo e pensar novamente que é como se fosse a primeira vez, só pra você nunca se cansar.
Se um dia você quiser eu bebo o mar, e embriagado e perdido a teus pés eu repito, que faço tudo que você quiser pra poder pra sempre te amar.

Fonte da imagem: http://vida-de-plastico.blogspot.com

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

retrato



Amar também é estar nos olhos do outro...

Um carinhoso retrato que ensolarou minha tarde nublada e chuvosa!

domingo, 12 de outubro de 2008

completude e vontade

A necessidade do outro não é a minha precisão de seguir em mim mesmo,
mas a vontade e o desejo de abrir-me,
de dar a cara à tapa,
de complementar-me no outro.

Construir a ponte invisível que me conecta ao próximo
e cria laços que suspendem-se por instantes eternos,
afugentando o destino certo e imprescindível da morte,
do desaparecimento de si.

Tocar com infinitas mãos
Comer com todos os sentidos
Sentir com inúmeras peles
Olhar de todos os olhos

É isso que nos contempla e resta!


Imagem: Cristian Mossi

inventar-se

Absorver imagens e cores
Decifrar signos justapostos
Espreitar sonoridades
Inventar-se

Ritmar-se ao som da melodia do cotidiano
Publicar-se entre falas e olhares
Rescindir-se de si mesmo
Inventar-se

Construir-se
Vestir-se
Enfeitar-se
Apaixonar-se

Desenhar-se num exercício cego e pleno
Estranhar a própria voz
Perceber-se em meio a sinais novos na pele
Complicar-se, aceitar-se, explorar-se
(Re)criar-se


Imagem: Cristian Mossi

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

pássaros

Chegando de viagem, uma postagem no meu Orkut me fez ficar com pássaros multicoloridos no pensamento e reacendeu mais ainda minha vontade de voar...

Imagem: Cristian Mossi

domingo, 5 de outubro de 2008

sonata

Preâmbulo (pianíssimo): Tento lembrar-me do futuro, suturar o passado, experimentando docemente o presente até as últimas lágrimas misturadas a sorrisos.
Movimento 1° (solo, para sentidos agudos): Miro com o olhar perdido o horizonte, encontro-me com vontades quase insuportáveis, com saudades até de mim mesmo.


(Pausa) [Redesenho melodias e recrio silêncios transbordados de desejos]

Movimento 2° (dueto, para corações graves): Sinto minha alma leve e tensa, insegura e convicta, afortunada pela melancolia.
Movimento 3° (polifonia, para todos os sentidos): Acordo na madrugada fria e por um instante procuro a ausência que pesa a meu lado na cama.


(Pausa) [Desenho futuros possíveis e me perco no tempo]

Movimento 4° (solo, para mezzo-sentidos): Leio e releio versos tentando achar surpresas até então escondidas. Revejo imagens, ativo lembranças. Espero, espero, espero, (...).
Grand finale: O vazio torna-se compleição e as ingênuas crenças combinadas às sutis invenções da memória fazem da presença algo que poderia ser mantido atemporalmente no entre das horas. O distante torna-se perto, o silêncio torna-se verdade e os anseios em fundir-se num único contorno preferem submergir no tempo que impreterivelmente passa sem culpa.
[Da capo al fine]


Fonte da imagem: http://www.www.karadar.com


sábado, 4 de outubro de 2008

FOLHA de URUBU


folha-de-urubu. S.f. Bras. Amaz. Bot. Trepadeira de caule grosso e rugoso, da família das aráceas (Philodendron laciniatum), de flores dispostas em espádice subssêncil, protegido por espada de tubo exteriormente verde e interiormente vermelho-violáceo, e cujo fruto é baga pequena; guembé. [Pl.: folhas-de-urubu.]


Sete artistas com um objetivo em comum: Divulgar seu trabalho de forma lúdica e de baixo custo. E deu mesmo o que ver, ler, falar, tocar, manusear, rir... e o que se possa imaginar!! Logo, logo a segunda edição... Para colecionadores!

Fotografias: Angélica D'avila

P.S. O meu trabalho é aquele livrinho vermelho da segunda imagem. Confira um pouco do conteúdo na postagem "presença", do mês passado.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

explicar e entender


"Tantas palavras escritas desde o princípio,
tantos traços, tantos sinais,
tantas pinturas, tanta necessidade de explicar e entender,
e ao mesmo tempo tanta dificuldade porque ainda não acabamos
de explicar e ainda não conseguimos entender.”

José Saramago


Fonte da imagem: http://www.photofinish1.blogspot.com


merecimento


Como fazer por merecer um olhar?

Fonte da imagem: http://www.anomalias.weblog.com.pt