Choveu.Mas choveu tão bonito que até me lembrei de um tempo em que chover não era também chorar...
Imagem: Cristian Mossi
Tem momentos, tão densos e suaves, que só o coração é capaz de lembrar. Presenças que, quando desprovidas da mágica sensação do toque, significam de outra forma a cama vazia, o rastro de flores, a falta do olhar. E passam a transbordar de desejos a face de quem ama, derramando lágrimas quentes de esperança pelo novo momento de se encontrar. Tem momentos que a ausência é tão grande que chega a ser linda. Então me fio pelo sol que se põe sereno e dá lugar a lua resplandecente no céu azul-turquesa, entristecendo e tornando plenas todas as almas que sabem ser também profundas. Tem momentos que eu nem sei explicar, e talvez nem o precise, mas que ficam para sempre. Ocorrendo pela eternidade a fora numa fresta de tempo feliz. Num outro lugar
Às vezes o que me assusta, não é a crença na (in)verdade alheia, mas nas minhas próprias (in)verdades. Ou na dificuldade que tenho de acreditar em mim mesmo, no que sou capaz, nos laços que se sustentam sem esforço ou destreza.
Hoje, por alguns instantes, procurei Deus dentro de mim. Encontrei-o soterrado por entre escombros de vaidades tolas e vontades findas. Questionei-me se não seria a hora de inventar-me menos rude, mais atento ao outro, menos apressado, mais pacífico. Estas desconhecidas qualidades em tempos de profundo egoísmo e falta de delicadeza.Fonte da imagem: http://limitenoceu.blogspot.com
Volta e meia os abismos. Aqueles de outrora que parecem sempre ter o mesmo nome, a mesma dimensão, a mesma cor mórbida que se enfadonha como que num passe de mágica e faz estranhar o que até então era impossível de ser ferido. Tola e desonesta esperança... E abrindo minha pele com a velha lâmina, torturando-me lentamente, procurando as causas das marcas e rescindindo tudo o que sinto, não quero pensar que os motivos estão dentro de mim. E tudo toma outras cores (im)possíveis. Desconhecidas, porém tão familiares. Isso também é tudo e é só.
Te amo.Fonte da imagem: http://www.aredenarede.com/
Que o breve
Do amanhecer ao pôr-do-sol, flores acompanhadas por lindas palavras iluminaram o dia do meu aniversário e me encheram de esperanças, vontades e sentimentos quase inomináveis...
Sempre pensei no aniversário como uma espécie de ano novo, data que as pessoas convencionam para acreditar que, por algum motivo, os ciclos se renovam. Tempo de passar a limpo as velhas angústias e de limpar aquelas ‘poeirinhas’ que geralmente ficam pelos cantos. Tempo de olhar-se para dentro e descobrir os caminhos serpenteantes que a vida construiu dentro da gente.