
Imagem: Cristian Mossi
Pra ser amor perfeito, tem que gostar e falar da lua, do pôr-do-sol, da chuva e do arco-íris. Tem que me ensinar o nome dos pássaros, dormir feito criança e me contar coisas sobre decoração e regras de futebol. Tem que saber brincar, dar risada, mas não ter vergonha de às vezes também chorar. Tem que amar contornar meu rosto e entender meu amor nas entrelinhas. Tem que sentir saudades e matar minhas saudades. Tem que fazer de cada instante, mesmo que de longe, inesquecível. Tem que gostar de coisas e pessoas simples e sonhar com uma casa com quatro cachorros e um vaso de estrelícias, confiando que para ser feliz realmente não é preciso muito mais que isso. Tem que cuidar de mim e dizer que meu sorriso está sempre nos seus olhos. Tem que me desenhar com poucos traços. Tem que ouvir música e quando dormir sonhar comigo, mas não esquecer nunca da difícil arte de sonhar acordado. Tem que discordar de algumas de minhas opiniões e atitudes, sabendo se colocar sempre com delicadeza. Tem que amar os amigos. Tem que preferir jujubas a sorvete, tem que não ter muitas certezas sobre o futuro, tem que acreditar em Deus a ponto de me fazer também acreditar. Tem que ter medo de filme de terror e me abraçar bem forte nas cenas mais assustadoras. Tem que me mostrar que não sou tão só quanto eu imaginava ser, tem que me esperar ansioso e me deixar ansioso quando está por chegar. Tem que trazer flores e me fazer ver flores em todo o lugar. Tem que entender que pra ser perfeito não é preciso a perfeição. Mas tem que conseguir fazer todas essas coisas que parecem tão difíceis por na verdade serem fáceis demais.
Tem momentos, tão densos e suaves, que só o coração é capaz de lembrar. Presenças que, quando desprovidas da mágica sensação do toque, significam de outra forma a cama vazia, o rastro de flores, a falta do olhar. E passam a transbordar de desejos a face de quem ama, derramando lágrimas quentes de esperança pelo novo momento de se encontrar. Tem momentos que a ausência é tão grande que chega a ser linda. Então me fio pelo sol que se põe sereno e dá lugar a lua resplandecente no céu azul-turquesa, entristecendo e tornando plenas todas as almas que sabem ser também profundas. Tem momentos que eu nem sei explicar, e talvez nem o precise, mas que ficam para sempre. Ocorrendo pela eternidade a fora numa fresta de tempo feliz. Num outro lugar
Às vezes o que me assusta, não é a crença na (in)verdade alheia, mas nas minhas próprias (in)verdades. Ou na dificuldade que tenho de acreditar em mim mesmo, no que sou capaz, nos laços que se sustentam sem esforço ou destreza.
Hoje, por alguns instantes, procurei Deus dentro de mim. Encontrei-o soterrado por entre escombros de vaidades tolas e vontades findas. Questionei-me se não seria a hora de inventar-me menos rude, mais atento ao outro, menos apressado, mais pacífico. Estas desconhecidas qualidades em tempos de profundo egoísmo e falta de delicadeza.Fonte da imagem: http://limitenoceu.blogspot.com
Volta e meia os abismos. Aqueles de outrora que parecem sempre ter o mesmo nome, a mesma dimensão, a mesma cor mórbida que se enfadonha como que num passe de mágica e faz estranhar o que até então era impossível de ser ferido. Tola e desonesta esperança... E abrindo minha pele com a velha lâmina, torturando-me lentamente, procurando as causas das marcas e rescindindo tudo o que sinto, não quero pensar que os motivos estão dentro de mim. E tudo toma outras cores (im)possíveis. Desconhecidas, porém tão familiares. Isso também é tudo e é só.
Te amo.Fonte da imagem: http://www.aredenarede.com/