segunda-feira, 8 de junho de 2009

dica

Nesses dias de frio aqui no sul, o que resta (no bom sentido) a fazer, é pegar um filme, se enfiar embaixo do edredom e olhar bem quietinho. Como sou daqueles que "forçam" um sentido para tudo o que vêem, estive pensando que há dois tipos de filme.
Os filmes "montanha russa" que você paga para alguns minutos de aventura e quando eles terminam você esquece... Lembra da experiência, mas ela fica só no âmbito do frio na barriga, enquanto efeitos especiais se misturam à jogos de luz fascinantes e piruetas nas tomadas de cena.
E aqueles filmes que resolvi catalogar como "carrossel", os quais basta você "andar" uma só vez e eles nunca mais saem da sua mente. Acontecem com uma luz própria, que não precisa de grandes recursos para te tocarem para sempre... É o caso de "Um beijo roubado", de Won Kar Wai e a maravilhosa atuação de Norah Jones no papel principal (ela mostra que não é só uma carinha e uma voz bonitas).


A pergunta que ficou pra mim foi:
Quanto tempo demorarei para atravessar a minha rua?

Vale a pena assistir!

Fonte da imagem: http://sobretudofilmes.wordpress.com

quinta-feira, 2 de abril de 2009

redescoberta


Tenho me procurado, mais que nunca, por entre palavras, melodias e imagens.
Tenho me perdido em esperas que eu mesmo aceitei pra mim. E estou tentando me encontrar.
Tenho reavaliado minhas próprias linguagens e percebido que nada sou além de um pequeno fragmento do que eu queria ou poderia ser.
Tenho subvertido o tempo... Minha paciência, meu cuidado.
E o que sou eu afinal, senão meu próprio processo de definição?
Senão aquilo que estabeleço como ‘eu mesmo’ no instante agora?

Imagem: Cristian Mossi

quarta-feira, 1 de abril de 2009

(...)

Um pequeno príncipe que encheu de estrelas os meus olhos... E me deixou vivendo sempre entre 3 e 4 horas.

E me ensinou tudo o que pode estar contido por entre simples reticências.


Imagem: S2

emaranhado em negativo

Quando um estoque de caixas empilhadas, texturas de papéis e fitas coloridas ajudam a passar o tempo e divertem o olhar. Em negativo.

Imagem: Cristian Mossi

escritas antigas

Ontem encontrei um caderno de redação que escrevia quando tinha 9 anos de idade... Tão bom me encontrar criança entre meio a escritas e desenhos - duas coisas que não sei viver sem, nem depois de adulto.

Com vocês "O Medo", pelo Cristian Mossi de 16 anos atrás:

"Um passarinho me contou que a menina tem medo de cair da árvore e que a barata tem medo da vassoura.
Vocês sabiam que o giz tem medo do nosso pé e a bola tem medo do prego, vocês sabiam?!
Uma formiga me contou que a janela tem medo da pedra, Marisa tem medo do rato e vocês sabem do que Gisela tem medo?
Ela tem medo de assombração.
Uma borboleta me contou que minha mãe tem medo de assalto, que a porta tem medo de ladrão e o chiclete tem medo dos nossos dentes.
Uma minhoca me contou que o meu pai tem medo do acidente de automóvel e uma outra disse que o passarinho tem medo da gaiola, ela também disse que o aluno tem medo das provas e minha professora tem meo de aranha.
Um grilo me contou que o filho tem medo do chinelo, ele também me contou que o cigarro tem medo da lixeira e sabem do que tem medo da tesoura?
E todos disseram que o sapato tem medo do sapateiro, também disseram que o papel tem medo da caneta e que a nuvem tem medo do vento."

Imagem: Ilustração e texto originais.

em lápisde cor

Mamulengos e arabescos divertidos em lápis de cor, para o cartaz do 2° FETISM - Festival de Teatro Independente de Santa Maria, que ocorrerá de 16 a 21 de Junho de 2009.

Imagem: Cristian Mossi

detestáveis minutos

Busco em Clarice Lispector, no livro Um sopro de vida, palavras que expliquem pra mim mesmo esse tempo de silêncio aqui no blog...

"O tempo não existe. O que chamamos de tempo é o movimento de evolução das coisas, mas o tempo em si não existe. Ou existe imutável e nele nos transladamos. O tempo passa depressa demais e a vida é tão curta. Então — para que eu não seja engolido pela voracidade das horas e pelas novidades que fazem o tempo passar depressa — eu cultivo um certo tédio. Degusto assim cada detestável minuto. E cultivo também o vazio silêncio da eternidade da espécie."

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

carta secreta II

Amor meu,

tem sido difícil domar meu corpo na árdua tarefa de entender que ele não pode te ter sempre que quer. Sei bem que meu coração está em ti e do mesmo modo sei das tuas certezas que você está em mim, mas a saudade é tanta que quase não me deixa sentir outra coisa senão a vontade de estar ao teu lado, num entardecer chuvoso e amarelado, que de lembranças me faz chorar...
Sabes que hoje tu és meu maior querer, meu plano, minha prece... E sei também que nessa realidade colérica e estranha em que vivemos, nosso amor soa como boa música aos corações mais entristecidos. Um bálsamo.
A cada amanhecer agradeço a sorte que tive em te encontrar e ter forças suficientes para ajudar-te a construir esse sentimento que até acho não ter nome. E talvez sua boniteza esteja mesmo em não conseguir ser entendido racionalmente, como as tantas outras realidades humanas.
O que sentimos está acima de qualquer tolice passageira. E de todas as palavras que por vezes dizemos sem pensar, o que resta é só as que expressam o quanto nos amamos.
Na tentativa de encontrar algo que ainda não consegui dizer, proponho aqui um silêncio... O revés das certezas... E fecho os olhos mais uma vez na busca de te amar mais e mais.

Beijos soltos, revestidos de vontade de novamente te encontrar.
Daquele que reside sempre em você.


Fonte da imagem: http://www.flickr.com

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

carta secreta



Bem meu

O bom e o belo se confundem ao adentrar teu corpo em noite solene.
A textura de tua delicadeza beirando minha pele, faz-me aceitar a espera e a distância que me flagelam constantemente, em busca do teu olhar.
E o fato de encontrar-me estranho, por não poder sequer vigiar teus olhos, esmorece pouco a pouco as batidas de meu coração. Que já não sabe bem o que quer, além de você.
Tu és a única certeza que em mim padece.
E as tolices que por vezes me fazem a ti entristecer, são como navalhas que a mim machucam também. Mais que a ti talvez. Por ver lacrimejar teus olhos e não poder roubar pra mim tal tristeza. Mas são resultado dessa saudade de sempre que não compreendo muito bem. E que só aumenta. Saudade até do que ainda está por ser vivido.
Quando lembro dos momentos doces, dos suaves odores e das palavras soltas que constroem o enredo desse amor, a vontade que tenho é de te levar comigo para algum lugar distante, que não me permita te perder pouco a pouco, por conta das insanidades que cometo sem querer. Por não acreditar que tu és realidade para mim.

Mas por fim o que sei é que, enquanto não encontro a palavra certa, digo que te amo.
E que me confundo no teu olhar...

Bjs, daquele que é sempre, sempre teu


Fonte da imagem: http://www.antologiadoesquecimento.blogspot.com

domingo, 1 de fevereiro de 2009

céu de borboletas*

"O mundo não tem sentido sem o nosso olhar que lhe atribui forma, sem o nosso pensamento que lhe confere alguma ordem.
É uma idéia assustadora: vivemos segundo o nosso ponto de vista, com ele sobrevivemos ou naufragamos. Explodimos ou congelamos conforme nossa abertura ou exclusão em relação ao mundo."

(Lya Luft - Perdas e Ganhos)

Fonte da imagem: http://www.ceu-de-borboletas.blogspot.com

*O título dessa postagem foi carinhosamente surrupiado do blog Céu de Borboletas, fonte da belíssima imagem que a acompanha;