segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Dos exercícios de me reinventar

O tempo é uma ilusão. O que nos perpassa são ciclos que vêm e vão, deixando experiências. Marcas que possibilitam dobras, espectros de ser e de reinventar-se. No exercício que me possibilito, encontro tonalidades graves e brechas de eternas possibilidades. Conheço-me melhor, entendo que nada é ao acaso, mas os acasos são inúmeros.

E como pode ser viver e não deixar-se transformar? Mesmo que a incerteza se instaure enquanto possibilidade de olhar além, o melhor nesse momento está sendo entender que nada perdura na ilusão do correr das horas, mas um segundo pode ser pra sempre se assim eu o quiser.

Imagem: Cristian Mossi

sábado, 10 de outubro de 2009

"A vida é um perfume..." *

(*) Da peça "Uma estória abensonhada".

Imagem: Fotografia de Cláudia Schulz

adeus - novo tempo

O novo tempo começa aqui. Não sei se as verdades a todo instante me sopravam possibilidades ao pé do ouvido, ou se no fundo sempre soube que tudo não passava de um sonho insano e bom, mas ocorre que me invisto de uma coragem nunca antes reconhecida em mim. Acho que quando experienciamos coisas totalmente novas no início de tudo, também o buscamos fazer em seu final, quando percebemos que as possibilidades nos escapam por entre os dedos sem deixar outra opção senão se retirar.
Claro que o perfume das flores, a luz dos olhos e as lembranças mais ternas persistem na memória que se esvaece aos poucos, deixando apenas um buraco vazio. Uma recordação boa... Uma melodia ao fundo.
Não quero (e não vou) me lamentar por algo que não retornará, mesmo com a tentativa profunda de tantos outroras. Quero conhecer coisas novas, me encantar com novas esperanças e se preciso for, voltar a escrever tudo isso novamente mais tarde.
Cansei das certezas e de me fundamentar em uma possibilidade movediça de criar bases mais firmes para o que eu sinto e para o que quero que sintam por mim.
O mundo é imenso e ele pode ser todo meu se assim eu o quiser...


Imagem: Cristian Mossi

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

instante-dor

"Não, o amor não tem fim, nós é que piscamos..."
Paulo Henrique Fernandes Silveira

Imagem: Fotografia de Cristian Mossi

um dia depois

A vida tem dessas coisas. Um dia você acorda e a pessoa por quem você viu mais de trezentos pores-do-sol simplesmente decide que não vai mais andar ao seu lado. Não importa que, como a meses, ela tenha sido seu primeiro pensamento bom pela manhã, nem que em pouco tempo vocês fariam aniversário e você tinha comprado um lindo presente para ela. Não importa que todas as mais lindas músicas que você escutou até hoje tenham feito você lembrar o quanto era feliz, nem que essa pessoa tenha transformado sua vida numa coisa que você insiste em pensar que era a melhor. Ela não te trará mais flores, nem se preocupará mais com você. Nem chegará mais de madrugada e, sonolenta daquele jeito que você adorava, te dará o abraço mais gostoso do mundo. Essa pessoa não cantará mais para você aquela canção cafona que ficava linda só na voz dela. Um dia você acorda e tudo virou de cabeça para baixo. Suas roupas parecem não servir mais, seu corpo parece não suportar você, sua mente fica dando voltas intermináveis e não chega a lugar algum. Você não consegue dormir, a comida parece não ter o mesmo sabor. Um dia você acorda e queria tanto que tudo tivesse sido um sonho ruim. Seu telefone não toca mais, seu Orkut não recebe mais nenhum recado carinhoso, você não tem mais para quem ligar, nem pode fazer mais planos para o futuro. Você não pode mais sonhar com uma casa cheia de telhados, seis cachorros e um vazo de estrelícias. Você simplesmente tem que se conformar que não poderá dormir mais de conchinha com aquela pessoa, nem trocar qualquer programação do mundo por um filme e um sofá. Não importa o que você faça, a tal pessoa terá destruído tudo o que você almeja e um pouco mais. Terá desembarcado do sonho conjunto sozinha, e te deixará seguir o caminho sem nem se preocupar em que estação você irá descer. Um dia você acorda e cada canto do seu quarto será o lugar mais dolorido do mundo para você. Por um bom tempo você não andará mais na rua em paz, mas todo e qualquer caminho que você faça lembrará você que agora está sozinho. Um dia você acorda mas preferia nem acordar até que a dor passasse. E se transformasse em centenas de borboletas...

Imagem: Fotografia de Cristian Mossi

sábado, 22 de agosto de 2009

somos a culpa por nós mesmos


* Imagem: Obra de Adriana Varejão

Fonte: http://ngv.vic.gov.au

domingo, 16 de agosto de 2009

sentidos

"Alegria e tristeza não são como água e óleo. Elas coexistem."

Do filme 'Ensaio sobre a cegueira', baseado na obra de José Saramago, com direção de Fernando Meirelles.

Imagem capturada em: http://sobral.oestedigital.pt

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

um dia de cada vez!

A explosão de cores dos recortes de Matisse para dizer da minha alegria de ultimamente... Alegria com ar de esperança, transformação e crença no porvir.
Quero gostar cada vez mais do que sempre venho a me tornar...
Imagem capturada em: http://marinaw.com.br

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

novamente as esperas

Esperar carona,
Esperar a chuva passar,
Esperar do outro mais do que ele pode me dar.

Esperar aquele programa na TV,
Esperar a data,
Esperar visita,
Esperar o filme entrar em cartaz.

As esperas me consomem mas me constroem.
Na medida que espero me descubro, me refaço,
me frustro e descubro que a hora certa não é aquela que espero, mas a que acontece.

Certo conformismo que não me faz desistir de esperar.


Imagem capturada em: http://mundodastribos.com

para re-recomeçar

Era aquilo e só. Estirado no colchão e a anestesia das horas a me passar dos pés à cabeça. Sentia como se meu corpo se transformasse lentamente em algo que já fui, mas que ainda não experimentei. Não desse jeito. Não com tanta crueldade.
Era aquilo e só. Uma dor que eu mesmo causei e que só e somente eu poderia amenizar. Não curar completamente. Porque as marcas, estas sim, ainda que nunca me façam aprender o que eu preciso de uma vez por todas, continuam latentes.
Era aquilo e só. Agora é remontar todo o quebra-cabeça com extremo cuidado, preparando-se para as próximas tempestades. Do ponto que parei, ou de outro ponto qualquer, isso não importa. O que importa é que, via de regra, sempre sei no fundo das minhas próprias necessidades... E sei que, por tudo o que se pode ver e ler no mundo como um motivo para terminar, também há sempre outro para recomeçar.


Imagem capturada em : http://gimp.com.br