
sábado, 2 de janeiro de 2010
terça-feira, 29 de dezembro de 2009
experimentar para renovar-se

Ano passado, utilizei esse mesmo espaço para dizer coisas que tinham a ver com ‘perseverar’. Nesse novo ano, pelo contrário, o que desejo a todos e especialmente a mim mesmo, encontra-se no justo oposto dessa palavra.
Perseverar, no sentido que me utilizei a mais ou menos 365 dias, encontrava seu maior anseio em dar continuidade a certas coisas, permitir tantas outras e perseguir uma trilha iniciada ainda em 2008. Pois o que mais desejo agora, é que 2010 seja um ano realmente novo. Com cheiro, som, gosto e textura de coisa nova, tirada do forno, tinindo em folha.
Não se trata aqui de bater os sapatos e dizer que de 2009 não se leva nem a terra, tampouco de degenerar as experiências desse ano que, cá entre nós, teve lá seu charme, porém sem tanto esplendor como poderia ter sido. Trata-se simplesmente de transfigurar o novo tempo que se inicia para viver o não vivido, sonhar o não sonhado, provar o não provado e, correndo até o risco de dizer um daqueles clichês de final de ano, simplesmente renovar-se.
Conhecer um lugar que não conheço. E, por que não, mudar-me para lá;
Experimentar um sabor combinado a outro que eu jurava que nunca daria certo;
Começar a aprender uma língua nova ou um instrumento novo.
Mudar a sala e o quarto de lugar, ainda que por poucos dias;
Destruir os castelos e os impérios construídos em 2009. Optar, pelo menos por um tempo, por construções mais simples e itinerantes;
Apaixonar-me todos os dias por mim mesmo, por uma idéia nova, por um aroma inesquecível;
Desenhar mais;
Correr menos;
Fazer novos amigos, inventar novos códigos;
Entender mais as entrelinhas, acreditar menos no que não vale à pena;
Traçar mais metas em curto prazo;
Aprender origami;
Dançar;
Ampliar essa lista para outras mil possibilidades;
Enfim, o que desejo é entender o passado não como algo que passou, mas como algo que talvez tenha já começado sem perspectivas de se fazer presente. Entender o presente como o eterno retorno das coisas que realmente têm valia. A duração do instante que será sempre o futuro agora.
Feliz ano novo!
Imagem: Fotografia de Cristian Mossi
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
ziguezagueando
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
à deriva

Deitado na cama, quarto escuro, silêncio ensurdecedor.
Apenas uma nesga de luz do poste que insiste em ultrapassar as brechas da persiana.
Perfume suave, vazio no peito, algumas poucas lembranças melancólicas que insistem em lhe atravessar a mente.
Somente resquícios. Nada que lhe fizesse sofrer demais, sorrir demais, sentir demais, voar demais, querer demais.
Na verdade suas poucas tentativas de encontrar-se pleno já o haviam esgotado.
Sentia-se à deriva. Num não-território de (in)certezas que lhe faziam não saber bem sobre suas próprias escolhas, nem pagar pra ver aquilo que pensava há algum tempo poder enxergar.
O sono vem e ele pensa que não importa mais insistir em suturar qualquer pensamento reflexivo sobre si mesmo. Tenta lembrar da letra da canção.
Logo dorme.
Imagem: Fotografia do filme 'À Deriva', fonte:http://www.camilayahn.com.br
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
totalfragmentalidades

Todo tão simples, todo complexo
Todo conexo
Todo inexplicável
Todo concreto, todo conceito
Todo projeto, todo desfeito
Todo imperfeito
Todo irretocável
Todo partido, todo unidade
Todo inteiro, todo metade
Todo trindade
Todo indivisível
Todo distinto, todo diverso
Todo adjunto, todo adverso
Todo universo
Todo irreversível
Todo absurdo, todo direito
Todo objeto, todo sujeito
Todo sem jeito
Todo irremediável
Todo possível, todo improvável
Todo oscilante, todo estável
Todo imutável
Todo ziguezagueante
Todo avesso, todo expresso
Todo excesso, todo exceto
Todo incompleto
Todo interminável
Todo pequeno, todo crescente
Todo imenso, todo semente
Todo somente
Todo inesgotável





