quinta-feira, 17 de julho de 2008

vago



Vago
Vasto
Doce
Amargo
Tempo que se quis em mim pungente e atroz

Espero
Árduo
Mudo
Calo
Coisa que se fez destino e fugaz

Ciclo
Tolo
Curo
rondo
Espreito um divino louco e letal


Agora se faz sentido e tarde.
Tarde demais.

Mesmo!


Imagem: Cristian Mossi

questão


Tenho devorado ultimamente um livro chamado “O que vemos – O que nos olha” (1998), de autoria de um francês com o simpático nome (para não conceder-lhe outro adjetivo) de Didi-Huberman.
Este, além de ajudar muito a pensar questões filosóficas acerca de meu trabalho de mestrado, tem me feito refletir sobre diversas outras coisas que se apresentam em meu cotidiano e que por um ou outro motivo deixo escapar por entre os dedos.
De tudo, uma frase parece martelar mais que as outras em meus pensamentos: “Como mostrar um vazio? E como fazer desse ato uma forma – uma forma que nos olha?”


Fonte da imagem: http://confrariadoatum.blogspot.com

quarta-feira, 16 de julho de 2008

isto sim

Criar um instante. Isto sim. Tempo de olhar-me com mais calma, de ouvir-me com mais calma, de pensar com mais calma, de seguir com os olhos e a ponta dos dedos os desenhos novos que se formaram lentamente em meu corpo e que o corre-corre de sempre nem me deixou perceber.
O existir desencadeia normas. Estas, seguidas à risca, nos fazem esquecer do espectro furtivo e difuso que se apresenta todas as manhãs no espelho. Faz-nos enredar por caminhos pelos quais não é possível alçar vôo, nem mesmo escutar aquela música favorita, gritar “Eu te amo!” na hora que queremos, ou ainda pensar (com a plenitude e a gravidade que isso acarreta) só em nós mesmos. Por um único e mísero momento. Um fragmento inventado. Nem que seja! Isto sim. Isto sim...

Imagem: Cristian Mossi

segunda-feira, 14 de julho de 2008

oxalá

Oxalá, me passe a dôr de cabeça, oxalá
Oxalá, o passo não me esmoreça;

Oxalá, o Carnaval aconteça, oxalá,
Oxalá, o povo nonca se esqueça;

Oxalá, eu não ande sem cuidado,
Oxalá eu não passe um mau bocado;
Oxalá, eu não faça tudo à pressa,
Oxalá, meu Futuro aconteça

Oxalá, que a vida me corra bem, oxalá
Oxalá, que a tua vida também;

Oxalá, o Carnaval aconteça, oxalá
Oxalá, o povo nunca se esqueça;

Oxalá, o tempo passe, hora a hora,
Oxalá, que ninguém se vá embora,
Oxalá, se aproxime o Carnaval,
Oxalá, tudo corra, menos mal

(Madredeus, composição: Pedro Ayres Magalhães)

Imagem: Cristian Mossi

domingo, 13 de julho de 2008

Valsa para Bruno Stein

Deste fascinante, forte e indescritível filme, que apresenta belas paisagens de Caçapava do Sul/RS, o que fica é a frase: "É preciso ter coragem para ser feliz..."

Fonte da imagem: http://tv.gramadosite.com

meu enredo

Quanto tempo ainda tempos para dizermos do amor?
E se o outro não me escuta, como dizer-lhe do que sinto?
E eu, será que o escuto plenamente?
Será que minha vida é formada por micro-cenas que, justapostas ao som de uma bela música, formariam um fascinante trailer de longa-metragem?

Quando descobrirei?

Fonte da imagem: http://byebyemother.blogspot.com/

sábado, 12 de julho de 2008

na espreita de um instante


Só hoje pude dar-me conta disso. A câmera dos meus olhos difusos não apreende tudo que se oferece ao meu redor. Ela seleciona enquadramentos, detalhes, movimentos que só eu vejo.
Ao caminhar, o faço em somente uma direção. Posso (e devo) mudá-la vez em quando, é claro, mas assim que a mudo, ela passa a ser única. Sou insubstituível em meu trajeto.
Carrego tantas coisas. E estas são somente minhas, de mais ninguém. Ainda que volta e meia apareça algum anjo bom disposto a compartilhar o fardo.
Escrevo cartas para mim mesmo que nem eu depois entendo...
O lugar.
O ato.
O instante-momento em que a brisa acaricia-me o rosto e que no depois distante não poderei mais estar.

Imagem: Cristian Mossi em cima de fotografia de Angélica D'Avila

tolo

Estrelas não tardam a surgir em mim.
E me armo assim todo!
Desejos, espelhos e minhas verdades...
Pra dar de cá ao mundo,
Um tolo fragmento da própria imagem.


Imagem: Cristian Mossi

antes que amanhã

Sei que nada será como antes, amanhã
Que notícias me dão dos amigos?
Que notícias me dão de você?
Sei que nada será como está
Amanhã ou depois de amanhã
Resistindo na boca da noite um gosto de sol...

(Trecho de 'Sei que nada será como antes', por Milton Nascimento e Ronaldo Bastos)

Fonte da imagem: http://flickr.com/

quarta-feira, 9 de julho de 2008

silêncio

quero vida nada,
tenho tu a ser mim tava,
fera lingua fere,
só aqui que espera cala,
tempo mudo tempo
até saber que tudo
não é nada
Fonte da imagem: Pintura de Joan Michell, disponível em http://www.kemperart.org