tem sido difícil domar meu corpo na árdua tarefa de entender que ele não pode te ter sempre que quer. Sei bem que meu coração está em ti e do mesmo modo sei das tuas certezas que você está em mim, mas a saudade é tanta que quase não me deixa sentir outra coisa senão a vontade de estar ao teu lado, num entardecer chuvoso e amarelado, que de lembranças me faz chorar... Sabes que hoje tu és meu maior querer, meu plano, minha prece... E sei também que nessa realidade colérica e estranha em que vivemos, nosso amor soa como boa música aos corações mais entristecidos. Um bálsamo. A cada amanhecer agradeço a sorte que tive em te encontrar e ter forças suficientes para ajudar-te a construir esse sentimento que até acho não ter nome. E talvez sua boniteza esteja mesmo em não conseguir ser entendido racionalmente, como as tantas outras realidades humanas. O que sentimos está acima de qualquer tolice passageira. E de todas as palavras que por vezes dizemos sem pensar, o que resta é só as que expressam o quanto nos amamos. Na tentativa de encontrar algo que ainda não consegui dizer, proponho aqui um silêncio... O revés das certezas... E fecho os olhos mais uma vez na busca de te amar mais e mais.
Beijos soltos, revestidos de vontade de novamente te encontrar. Daquele que reside sempre em você.
O bom e o belo se confundem ao adentrar teu corpo em noite solene. A textura de tua delicadeza beirando minha pele, faz-me aceitar a espera e a distância que me flagelam constantemente, em busca do teu olhar. E o fato de encontrar-me estranho, por não poder sequer vigiar teus olhos, esmorece pouco a pouco as batidas de meu coração. Que já não sabe bem o que quer, além de você. Tu és a única certeza que em mim padece. E as tolices que por vezes me fazem a ti entristecer, são como navalhas que a mim machucam também. Mais que a ti talvez. Por ver lacrimejar teus olhos e não poder roubar pra mim tal tristeza. Mas são resultado dessa saudade de sempre que não compreendo muito bem. E que só aumenta. Saudade até do que ainda está por ser vivido. Quando lembro dos momentos doces, dos suaves odores e das palavras soltas que constroem o enredo desse amor, a vontade que tenho é de te levar comigo para algum lugar distante, que não me permita te perder pouco a pouco, por conta das insanidades que cometo sem querer. Por não acreditar que tu és realidade para mim.
Mas por fim o que sei é que, enquanto não encontro a palavra certa, digo que te amo. E que me confundo no teu olhar...
"O mundo não tem sentido sem o nosso olhar que lhe atribui forma, sem o nosso pensamento que lhe confere alguma ordem. É uma idéia assustadora: vivemos segundo o nosso ponto de vista, com ele sobrevivemos ou naufragamos. Explodimos ou congelamos conforme nossa abertura ou exclusão em relação ao mundo."
Quisera eu, ficar assim, aconchegado dentro em mim, para sempre.
Quisera eu escapar desse mundo que prende e mostra, que o céu azul e o lago com cisnes das antigas garatujas infantis, não revelam o absurdo que Nietzsche já falara a algum tempo...
Não sei quem eu sou exatamente, mas posso dizer que não sou alguém que tem certeza disso.
Minha mente de menino prefere sempre acreditar que existe um monstro com mil tentáculos vivendo embaixo da minha cama.
Tenho prazer em acordar bem cedo e sentir o aroma de café preto...
Olhar o pôr do sol, passar o tempo desenhando, lendo, ouvindo alguém ou alguma música que me diga muito ( e às vezes muito sobre mim).
Me apego fácil.
Nesse processo de (re)(des)construção contínua, só posso me sentir como partículas mutantes, espaços em aberto, dobras interconexas que ora me definem, ora me ofuscam.
Adoro tempestade. Me sinto renovado pela mudança que ela traz. Mas tenho medo do que não dura pra sempre.
Uma vez eu disse:
“De que adianta pintar meu universo de cinza, se sou daqueles que rabiscam o céu e nele colocam um pouquinho de sol, de estrela e de mim?”
E continuo acreditando nisso.