E em meio a tudo isso, sinto-me feliz. De um jeito que a muito não me sentia. Não porque seja a única vez, nem a última, nem o pretenso, mas porque acho que finalmente entendi (e comprovei) que desse jeito é melhor: não esperar de fora o que só pode ser descoberto em mim mesmo. Sim! Só me sinto bem agora, porque me permiti... E por tempo indeterminado! Mais que me permitir, fora deixar que as ocorrências me levassem, sem fazer conjecturas tolas sobre o que adviria a ser, sem medo de parecer bobo, ou pelo menos pouco precavido, ingênuo, louco até. O que penso agora é que o risco pode ser aceito, sem lavrar contratos que só serão no fundo confirmados com o tempo e com o que ele decidir. Eu sei. Isso já fora dito diversas vezes (não só por mim), mas muito pouco cumprido. Na verdade o medo sempre me levou em suas asas, mas eu o escondia com um excesso de aparente confiança em mim mesmo. Afinal então, por que não fazer do medo algo produtivo? Já diz o velho ditado: “se não posso com o mal, me junto a ele”. Por que não me revelar frágil, mas disposto a reconstruir-me constantemente. Talvez essa seja a real forma da força. Sem auto-punições. Sinto-me leve, me permito enfim. A cada possível decepção, caberá só a mim reconstruir meu próprio castelo de (im)purezas. Escuto músicas até então deixadas de lado por esse ou aquele motivo, vivo arriscando meus pensamentos, faço planos (mesmo sabendo que eles possam não ser realizados), escrevo coisas de maneiras novas e tenho para mim que este é o melhor, pelo menos por enquanto, pelo menos até descobrir outra via que me leve a qualquer lugar. Sem temor nos “parecimentos” e “endereçamentos”. Os tempos mudaram e sempre digo que o melhor da vida é poder trocar de opinião sobre as coisas. Ela não precisa ser tão certa, tão hermética. O modo como me reconheço já é outro. Menos convicto, menos castrador. Bem mais feliz.
"Quando encontrar alguém e esse alguém fizer seu coração parar de funcionar por alguns segundos, preste atenção. Pode ser a pessoa mais importante da sua vida. Se os olhares se cruzarem e neste momento houver o mesmo brilho intenso entre eles, fique alerta: pode ser a pessoa que você está esperando desde o dia em que nasceu. Se o toque dos lábios for intenso, se o beijo for apaixonante e os olhos encherem d'água neste momento, perceba: existe algo mágico entre vocês. Se o primeiro e o último pensamento do dia for essa pessoa, se a vontade de ficar juntos chegar a apertar o coração, agradeça: Deus te mandou um presente divino: o amor."
Carlos Drummond de Andrade
Imagem: Cristian Mossi, sobre fotografia de Lais Chiodelli
Bom, depois de três posts seguidos sobre a questão da ausência (que, claro, tem mechido muito comigo ultimamente), aí está o projeto de um pojeto que ainda não tem nome, mas que está muito presente ultimamente... E vai dar o que ler, ver, falar, etc...
"Por muito tempo achei que a ausência é falta. E lastimava, ignorante, a falta. Hoje não a lastimo. Não há falta na ausência. A ausência é um estar em mim. E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços, que rio e danço e invento exclamações alegres, porque a ausência, essa ausência assimilada, ninguém a rouba mais de mim."
Eu não sei... Tem dias tão estranhos que o coração até fica daquela cor cinza-pesado, que nem céu em dia de mormaço e chuva. Saudade não é bem a palavra a ser dita. Mais que isso, abre-se um vazio, uma ausência mórbida que mesmo envolta em promessas fáceis (as quais até se fazem crer ingenuamente), impõem medo pelo porvir incerto. Vontade de largar tudo. De não estar, de entregar-me ao feixe de luz que tem me iluminado na saga destes dias. Ah! Se soubéssemos viver de verdade, sem amarras... Se pudéssemos ao menos. Ainda a distância. Olho para o céu... Ele não está afinal em todo o lugar?
Fonte da imagem: http://www.omuroeoutraspgs.blogspot.com
E o que era presença em meio à ausência, tornou-se presença intensa e pulsante. Real. E fita-me da cor de um verde precioso e sincero, que ao som da promessa composta por palavras feitas, e não menos novas, a cada instante ressoa a melodia que embala e aquece os corpos ( e os corações). Tristeza boa de sentir. E se faz lembrar a cada caminho, a cada cair do sol, a cada coisa que o mundo oferece ao olhar. O cheiro, o gosto, o toque, tudo se materializa pouco a pouco, de uma delicadeza que costura minuciosamente sorrisos sem motivos próprios. Inexplicável.
Quisera eu, ficar assim, aconchegado dentro em mim, para sempre.
Quisera eu escapar desse mundo que prende e mostra, que o céu azul e o lago com cisnes das antigas garatujas infantis, não revelam o absurdo que Nietzsche já falara a algum tempo...
Não sei quem eu sou exatamente, mas posso dizer que não sou alguém que tem certeza disso.
Minha mente de menino prefere sempre acreditar que existe um monstro com mil tentáculos vivendo embaixo da minha cama.
Tenho prazer em acordar bem cedo e sentir o aroma de café preto...
Olhar o pôr do sol, passar o tempo desenhando, lendo, ouvindo alguém ou alguma música que me diga muito ( e às vezes muito sobre mim).
Me apego fácil.
Nesse processo de (re)(des)construção contínua, só posso me sentir como partículas mutantes, espaços em aberto, dobras interconexas que ora me definem, ora me ofuscam.
Adoro tempestade. Me sinto renovado pela mudança que ela traz. Mas tenho medo do que não dura pra sempre.
Uma vez eu disse:
“De que adianta pintar meu universo de cinza, se sou daqueles que rabiscam o céu e nele colocam um pouquinho de sol, de estrela e de mim?”
E continuo acreditando nisso.