domingo, 28 de setembro de 2008

mais feliz

E em meio a tudo isso, sinto-me feliz. De um jeito que a muito não me sentia. Não porque seja a única vez, nem a última, nem o pretenso, mas porque acho que finalmente entendi (e comprovei) que desse jeito é melhor: não esperar de fora o que só pode ser descoberto em mim mesmo.
Sim! Só me sinto bem agora, porque me permiti... E por tempo indeterminado!
Mais que me permitir, fora deixar que as ocorrências me levassem, sem fazer conjecturas tolas sobre o que adviria a ser, sem medo de parecer bobo, ou pelo menos pouco precavido, ingênuo, louco até.
O que penso agora é que o risco pode ser aceito, sem lavrar contratos que só serão no fundo confirmados com o tempo e com o que ele decidir.
Eu sei. Isso já fora dito diversas vezes (não só por mim), mas muito pouco cumprido. Na verdade o medo sempre me levou em suas asas, mas eu o escondia com um excesso de aparente confiança em mim mesmo. Afinal então, por que não fazer do medo algo produtivo? Já diz o velho ditado: “se não posso com o mal, me junto a ele”.

Por que não me revelar frágil, mas disposto a reconstruir-me constantemente. Talvez essa seja a real forma da força. Sem auto-punições.
Sinto-me leve, me permito enfim. A cada possível decepção, caberá só a mim reconstruir meu próprio castelo de (im)purezas.
Escuto músicas até então deixadas de lado por esse ou aquele motivo, vivo arriscando meus pensamentos, faço planos (mesmo sabendo que eles possam não ser realizados), escrevo coisas de maneiras novas e tenho para mim que este é o melhor, pelo menos por enquanto, pelo menos até descobrir outra via que me leve a qualquer lugar. Sem temor nos “parecimentos” e “endereçamentos”.
Os tempos mudaram e sempre digo que o melhor da vida é poder trocar de opinião sobre as coisas. Ela não precisa ser tão certa, tão hermética. O modo como me reconheço já é outro. Menos convicto, menos castrador. Bem mais feliz.


Imagem: Cristian Mossi

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