Tem momentos, tão densos e suaves, que só o coração é capaz de lembrar. Presenças que, quando desprovidas da mágica sensação do toque, significam de outra forma a cama vazia, o rastro de flores, a falta do olhar. E passam a transbordar de desejos a face de quem ama, derramando lágrimas quentes de esperança pelo novo momento de se encontrar. Tem momentos que a ausência é tão grande que chega a ser linda. Então me fio pelo sol que se põe sereno e dá lugar a lua resplandecente no céu azul-turquesa, entristecendo e tornando plenas todas as almas que sabem ser também profundas. Tem momentos que eu nem sei explicar, e talvez nem o precise, mas que ficam para sempre. Ocorrendo pela eternidade a fora numa fresta de tempo feliz. Num outro lugar
Quisera eu, ficar assim, aconchegado dentro em mim, para sempre.
Quisera eu escapar desse mundo que prende e mostra, que o céu azul e o lago com cisnes das antigas garatujas infantis, não revelam o absurdo que Nietzsche já falara a algum tempo...
Não sei quem eu sou exatamente, mas posso dizer que não sou alguém que tem certeza disso.
Minha mente de menino prefere sempre acreditar que existe um monstro com mil tentáculos vivendo embaixo da minha cama.
Tenho prazer em acordar bem cedo e sentir o aroma de café preto...
Olhar o pôr do sol, passar o tempo desenhando, lendo, ouvindo alguém ou alguma música que me diga muito ( e às vezes muito sobre mim).
Me apego fácil.
Nesse processo de (re)(des)construção contínua, só posso me sentir como partículas mutantes, espaços em aberto, dobras interconexas que ora me definem, ora me ofuscam.
Adoro tempestade. Me sinto renovado pela mudança que ela traz. Mas tenho medo do que não dura pra sempre.
Uma vez eu disse:
“De que adianta pintar meu universo de cinza, se sou daqueles que rabiscam o céu e nele colocam um pouquinho de sol, de estrela e de mim?”
E continuo acreditando nisso.
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